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O Gesto
Na vida acontecem muitas coisas. Quando efectuei uma greve de fome, em defesa dos direitos do universo dos deficientes militares, conheci da Assembleia da República, deputados de diversos Grupos Parlamentares.
Fizeram, todos eles, discursos brilhantes, mesmo até os representantes do Governo, achando justas as reivindicações mas só não as podiam pôr em prática pela crise em que Portugal está mergulhado!
A revolução que o Governo desenvolveu com tantas reformas, realça aquela que foi referenciada pelo Primeiro-ministro de Portugal e Secretário-geral do PS, quando no seu Partido afirmou que «ia tirar aos deficientes ricos para dar aos deficientes pobres», aí traçou o destino dos deficientes das Forças Armadas, modificando por completo a qualidade e modo de vida dos cidadãos deficientes militares!
Portugal tinha uma legislação reconhecida pelos governos anteriores e que foi sendo melhorada no Governo de Cavaco Silva e seguidamente por António Guterres, que reconheceu a saúde a 100% para o universo dos deficientes militares e família e através do seu Ministro da Defesa Nacional António Vitorino, fez aprovar o Dec. Lei 134/97 de 31 de Maio, o que quer dizer que quando os governos mexeram nos direitos da família deficiente militar, sempre foi para melhorar.
Quando se fala de deficientes das Forças Armadas é empolgante porque se fala de uma importante página da história de Portugal ainda viva, que não é por acaso que o Parlamento e a comunicação social deu ao assunto grande importância, falando destes mais de uma semana e deitou por terra as ideias do governo de José Sócrates, que escreveu a páginas negras esta parte da história de Portugal e os deficientes militares ao roubar-lhes direitos e mesmo quando fez aprovar, parcialmente, a lei da saúde a 100%, utilizou a lei travão da Assembleia da República para entrar em vigor só a partir de 1 de Janeiro de 2010, á espera que até lá, ainda morram mais umas dezenas ou centenas de combatentes deficientes militares, para a ajuda da tão proclamada recuperação da crise!... Sei que a Comissão Parlamentar de Defesa na Assembleia da República aprovou a saúde a 100% para todo o universo dos deficientes militares, que foi votada por todos os Partidos, por aclamação (muito bonito), mas a lei foi publicada abrangendo só os deficientes das Forças Armadas, deixando de fora todos os outros e as mulheres! Como é que é possível?
Não sei se a Assembleia da República celebrou o contributo que estes homens deram ao fim de guerra colonial á paz e á liberdade em Portugal e aos povos africanos, mas o que é um facto é que se celebrou, só o podia fazer abrangendo o universo da família deficiente militar e deixarem-se de palavrões, ofensas, atentados á integridade, que chega aos gestos dos “cornos” ou “corninhos”, esquecendo-se que estão na casa mãe da democracia para governar Portugal e dar melhores condições aos portugueses. Triste espectáculo!
A actual Direcção Nacional da ADFA para não ser enganada, como o foi a Direcção Nacional anterior, pós-se em campo, lutou, falou com os deputados, Grupos Parlamentares, Defesa Nacional, etc e em tempo recorde fez aprovar e sair em Portaria que aprova a saúde a 100% para os deficientes militares em serviço e assim sim, a 01 de Janeiro de 2010, todos os deficientes militares tem direito a saúde a 100%, mas que: as mulheres ficam de fora, igual a ADSE!
Deixem-se de gestos e gestinhos de “cornos” ou “corninhos” e cumpram Portugal!
Entretanto, que todos tenham gozado, boas férias!
João Gonçalves
